Mais um dia
Acordei cedo o sol ainda não havia nascido, mais meu sono já havia partido, deitado na cama parado pensando ouvindo ao meu redor todos dormindo e respirando, contemplo o teto não vejo nada, mais nele se reflete o meu espírito vazio, profundo, infinito nas possibilidades, finito apenas na minha mortalidade, levanto-me escovo os dentes penso em como e chato esse ritual repetitivo e cansativo dia após dia, no mesmo instante lembro-me dos pobre que não tem água para matar a sede pela manha e eu aqui reclamando, tomo o café, vejo as noticias na televisão, mais uma vez as mesmas repetições, mortes, roubos, guerras, tragédias em geral que passam a se tornarem banais, perdem seu significado e deixamos que se tornem coisas comuns, como pode, vocês não acham chegamos ao ponto de considerarmos tudo isso como coisas normais, não nós sentimos escandalizados, a que ponto a humanidade chegou, somos mesquinhos o suficiente para termos preconceitos, mas não vemos nada de anormal com assassinatos em massa que são cometidos todos os dias pelos quatro cantos do mundo.
Saio de casa para o trabalho, me vejo frente a tantas outras pessoas que estão no mesmo caminho que eu, todos com sonhos para o fim do mês, todos tentando alcançar sucesso em suas vidas capitalistas, cada vez mais reduzidos a nós mesmos, mal pensamos no que se passa com os outros, pego um ônibus que quase sempre chega a atrasado, também nesse horário está sempre lotado, cada um toma posse momentânea de uma parte da condução, vemos a nosso redor pessoas conversando sobre seus trabalhos, suas vidas pessoais, suas contas, a novela das 8, do futebol, das namoradas, dos namorados, dos maridos, dos vizinhos, nessa hora eu me sinto perdido porque todos querem falar tanto de si mesmos, nunca consigo chegar a qualquer conclusão, penso que pode ser medo de tentar entender os outros, talvez puro desinteresse, as vezes completo desprezo por qualquer coisa que não seja o próprio ego, talvez um pouco de cada e mais outras coisas, mais nessa hora para o eu que gosta de estudar as mais variadas formas de personalidades a uma dos melhores momentos do dia, da para se ter amostra dos mais variados clichês humanos; os contadores de vantagem, os que sempre te razão, os que acham que sempre estão sendo enganados, os que se consideram verdadeiros gênios humanos, aqueles que sempre estão reclamando da vida, e aqueles que assim como eu ficam sempre calados quase sempre nas mesmas poltronas só observando o que se passa ao redor, logo chega o ponto quando aparece alguém interessante, alguém que não se enquadra muito bem em nenhum desses grupos normais, alguém que te faz vencer as suas barreiras internas e sempre vale a pena, bom tem vez que compensa até deixar o ônibus rodar e continuar estudando e jogando conversa fora, sempre vale a pena se conhecer uma pessoa assim, quando isso acontece se chega mais atrasado ainda (mais vale toda a encheção de saco do chefe), bom chegando no trabalho começa mais um dia normal, fazer as mesmas coisas, ouvir as mesmas palavras, quase sempre o mesmo tédio de sempre, mais o improvável sempre acontece, e quando menos se espera as coisas boas acontecem com boas pessoas, enquanto se trabalha sempre vale a pena rir das piadas, ouvir as musicas que vem com o vento, sentir o brilho do sol, ouvir o canto dos pássaros, enfim ver, sentir e ouvir tudo de bom que o dia te oferece ( melhor que passar o dia reclamando e deixando cada momento bom passar sem ter aproveitado o melhor que ele te oferece).
Logo chega a hora do almoço, sempre que possível o melhor e ir almoçar em casa, não tem comida melhor que a feita pela mãe, e muito bom poder se servir a vontade (alem e claro das vantagens econômicas, mais sãos detalhes menores), quando não da e sempre bom reunir a galera pra ir almoçar aquele rango caseiro num restaurante baratinho perto do serviço (alem de barato sempre e a melhor comida) e escutar e galera falar sobre as estórias dos fins de semana, do futebol de sábado, das festas do mês passado, dos seus vacilos da escola as uns 3 anos atrás, enfim de tudo digno de boas gargalhadas, sempre que possível da um toque naquela menina pra ela saber que você num esqueceu dela, marcar algo, troca uma idéia rir com ela também até dar a hora de voltar pro trabalho, bom de tarde quase sempre são as mesmas coisa, quando as coisa dão certo o tempo voa, quando o bicho pega e ralação mas a galera nunca perde o bom humor, é o que da força de enfrentar tudo de frente (quando se tem alguém ao lado sempre e mais fácil de se superar qualquer coisa), logo chega a hora de ir embora, me despeço e vou pega o busu, se der sorte posso até continuar aquela conversa da manha, quase sempre ele passa atrasado (só pra não perder o costume) e lá vamos nós de novo, os espertos, os sofridos, as gostosas, as feias, os fedidos, todo mundo compactado igual sardinha numa lata pronta pra ser devoradas pelo monstro da incerteza, mais todos no fundo se sentem bem, cansados, abatidos, mais quase todos se sentem um pouco vencedores por ter conseguido chagar ao fim de mais um dia e poder voltar pra casa e rever aqueles que se ama, como e bom chegar e saber que se pode descansar, tomar um banho deixar a água levar toda dor, desespero, infelicidade, angustias, deixar ela lavar nossa alma, e nos encher do conforto bom de se estar em um lugar seu, seu castelo, sua fortaleza, seu abrigo, poder deitar no sofá e ver as tragédias do mundo como se fossem coisas de um mundo distante intocável, um universo paralelo inalcançável, algo que nunca vai chegar até nós, mais Deus não pode nos culpar somos apenas humanos, temos medo do desconhecido, gostamos de falar que queríamos que fosse tudo diferente mais onde encontraríamos a segurança para firmarmos nossas vidas em meio ao caos sem uma rotina, mudar as coisa um pouco e bom, da mais sabor a vida, da mais cor as manhas, deixa o calor do sol mais aconchegante, deixa a incerteza mias tolerável, mais sempre vamos precisar da segurança dos passos marcados da rotina para nos dar um norte, igual a uma dança por mais que se varie os passos sempre vai haver uma parte que se manterá inalterada para se tratar da mesma dança, daí o sono vem chegando sempre quando aquele filme chega na melhor parte, chega a hora de deixar o espírito viajar, enquanto a mente descansa, o corpo repousa, mais um instante antes agente olha pra trás e vê tudo que aconteceu, será que eu podia ter feito melhor alguma coisa, será que fui covarde, quantas coisas eu poderia fazer diferente, mais nessa hora eu me lembro que eu sou sempre o melhor de mim mesmo, e por mais que eu erre enquanto me for permitido acordar mais um dia da para concertar tudo aquilo que eu realmente desejar, e quando o cansaço bate forte eu respiro fundo e lembro como tudo isso e lindo, e vem um nó na garganta e uma vontade maior que eu mesmo de poder olhar tudo do lado de Deus, e perceber o quanto e maravilhoso esse nosso mundinho esse nosso universo, nossa realidade, e o quando e bom viver e sentir, sorrir chorar, sofrer, amar, perdoar, voar sem ter medo de cair, sentir o coração bater e poder ter plena e total certeza que tudo e passageiro e tudo e lindo demais para se perder um só momento com medos e duvidas, saber o quanto e grande o poder do criado e que ele divide tudo isso com cada um de nós, sem que nós percebamos nada, com o sono vem o consolo, o conforto, a felicidade, a maravilhosa sensação de totalidade, e saber que nunca se esta sozinho e o quanto Deus e bom e ama suas frágeis criaturas, em cada raio de sol, em cada gota de chuva, cada beijo, cada abraço, cada carinho, em todas as pessoas em todos os lugares...
Mais um dia começa...
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